O trabalho acontece em atendimentos clínicos orientados pela escuta da estrutura psíquica.
Isso significa que o processo não se organiza apenas em torno do que o sujeito pensa sobre si, mas também em torno de seus modos de defesa, repetição, dissociação, sustentação emocional e relação com a própria verdade interna. Em torno de seus sonhos, de sua fala, seus lapsos de memória, seus medos, seus sintomas, suas queixas.
Cada processo tem seu ritmo. Quem "dita" o ritmo não é nem o psicanalista nem o paciente, é a própria estrutura psiquica.
Quando maior a dificuldade do ego contatar o Self maior a tendência de demora do processo. Por isso a implicação do sujeito em análise é a base do percurso.
Cada estrutura apresenta seus limites, resistências e possibilidades.
O método não oferece garantias de transformação.
Oferece condições de travessia.
E essa travessia exige implicação real.
O processo exige enquadre, constância e compromisso.
Isso inclui:
presença regular
respeito aos horários
compromisso com honorários e enquadre
disposição para falar com espontaneidade e verdade
abertura para observar o que emerge dentro e fora das sessões
disponibilidade para um trabalho que nem sempre será confortável ou linear
Sem trabalho sobre a estrutura, o ser humano permanece dissociado, projetado e incompleto.
Tornar-se mais completo não é um ideal abstrato.
É uma tarefa psíquica.
E talvez uma das mais importantes da vida humana.
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