Uma chave em chamas...
Essa é minha imagem para alguns casos de ansiedade.
Uma imagem que vem à mente em alguns casos, em minha escuta clínica.
Uma chama que parece consumir o sujeito.
Uma chama que lhe tira a paz.
Uma chama que inquieta, faz o coração palpitar forte.
Faz as mãos suar.
Faz a mente dispersar – como as próprias chamas.
Às vezes vem acompanhada da sensação da iminência de uma catástrofe.
Essa é a descrição da ansiedade.
Mas o que vejo, em muitos casos clínicos:
Uma chave por trás das chamas.
Uma chave que está perdida, que o sujeito nem suspeita existir.
Sim, porque a intensidade das chamas apaga tudo.
Então a chave está lá e o sujeito não a vê.
E o que é essa chave?
É justamente o que o sujeito precisa aprender a proteger.
Proteger quem ele é de verdade, para além da adaptação.
Proteger das palavras que atingem.
Proteger de pessoas destrutivas.
Proteger de situações desafiadoras.
A chave é uma força interna que está oculta, consumida pelas chamas.
Como apagar as chamas para se apossar da chave?
Esse caminho é a análise profunda, não a superficial, não a comportamental. Mas a profunda, que trabalhe a estrutura.
Porque é no trabalho com a estrutura que as chamas podem ser manejadas.
Porque não se apagam as chamas, elas são sintomas de algo que pede atenção.
As chamas são energia psíquica que precisa circular por todas as instâncias psíquicas de forma harmônica – não descontrolada como está.
Isso não se faz sozinho. É um caminho a dois, e há de ser trilhado com persistência e paciência, porque é um percurso e não um atalho.
Atalhos são insuficientes – basta olhar a sociedade como está.
Você tem uma chave em chamas?
Então não fique sozinho com ela. Porque as chamas não se apagam sozinhas, tampouco bom dicas ou conselhos.
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