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Diariamente somos bombardeados por imagens e informações, na sua maioria, fabricadas por estudantes da psique. Um movimento que não iniciou hoje; vem desde a década de 1920 com o uso da psicanálise.
Edward Bernays, considerado um dos pais das relações públicas modernas, compreendeu algo decisivo: as massas não são movidas apenas por argumentos racionais, mas por desejos, medos, identificações, imagens e impulsos inconscientes.
Sobrinho de Sigmund Freud, Bernays apropriou-se de noções da psicanálise para aplicá-las ao campo da propaganda, do consumo e da opinião pública. Para ele, não bastava vender um produto; era preciso associá-lo a uma emoção, a uma imagem de poder, liberdade, pertencimento ou prestígio.
O indivíduo moderno acredita escolher livremente, mas muitas vezes escolhe dentro de um campo previamente organizado de sugestões. A propaganda não atua apenas dizendo “compre isto”. Ela atua criando uma atmosfera psíquica na qual determinado objeto passa a representar algo maior: status, autonomia, juventude, rebeldia, segurança, erotismo, sucesso ou aceitação social.
É nesse ponto que aparece o poder manipulativo do inconsciente das massas. Quando uma sociedade perde contato com seus próprios centros internos de orientação, torna-se mais vulnerável a imagens fabricadas. A energia libidinal que poderia ser investida em saúde, consciência, criação, vínculos e evolução psíquica passa a ser capturada por objetos externos, marcas, discursos e promessas de compensação.
Edward Bernays compreendeu que as massas não são conduzidas apenas por ideias, mas por desejos inconscientes. Ao associar produtos a imagens de liberdade, poder, status ou pertencimento, ele ajudou a transformar o consumo em uma linguagem simbólica.
O sujeito acredita escolher, mas muitas vezes apenas responde a sugestões cuidadosamente implantadas no imaginário coletivo.
Quando não sabemos onde está nossa falta, qualquer sistema pode nos vender uma promessa de preenchimento.
Bernays percebeu que o desejo coletivo podia ser conduzido. Ao transformar produtos em símbolos, e símbolos em necessidades emocionais, ele ajudou a inaugurar uma forma de controle mais sutil: não pela força direta, mas pela fabricação do desejo.
O problema não está apenas na existência da propaganda, mas na inconsciência de quem a recebe. Quanto menos uma pessoa conhece seus próprios vazios, feridas, impulsos e carências, mais facilmente entregará seu poder a imagens que prometem completá-la.
Por isso, retomar a consciência sobre o corpo, o desejo e a energia psíquica é também um gesto de autonomia. É retirar parte da própria força do campo da manipulação coletiva e devolvê-la ao eixo interno.
Nesse sentido fazer análise pessoal não é terapia no sentido comum da palavra. Fazer análise pessoal é também acompanhar o movimento incessante da própria estrutura psíquica e compreendê-la melhor.
Se faz análise para sermos mais completos, sem tanto conteúdo projeto ou na sombra.
Porque a vida numa sociedade onde deixamos de ser cidadões e nos tornamos produtos é um desafio de autonomia psíquica.

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